SEPULTURA: Uma saga de vitórias
por Toninho (Presidente do Sepultura Official Brazilian Fan Club)
- Abril de 2001
 |
|
Igor, Max, Jairo e Paulo
|
 |
Quando a maldição foi lançada,
poucos imaginavam que aqueles despretensiosos garotos iriam voar
tão longe. Como muitos sabem o SEPULTURA nasceu como uma
brincadeira no começo dos anos 80 na cidade de Belo Horizonte.
Mas o destino foi generoso, e não brincava, quando colocou
no caminho do metal Paulo Jr. (bx), Jairo Guedez (g), Max (g) e
Igor Cavalera (bt).
O Death Metal Brasileiro ainda engatinhava quando o SEPULTURA lançou
sua primeira gravação, o famoso split álbum
BESTIAL DEVASTATION/SÉCULO XX (85), dividido com os conterrâneos
mineiros do OVERDOSE. Músicas extremas como'Bestial
Devastation' e 'Antichrist' mostravam à que vinha a banda,
e começava a crescer uma legião de fãs pelo
Brasil. Após este primeiro passo, foi inevitável ao
SEPULTURA realizar a grande experiência musical da banda de
metal surgida do nada, um disco próprio.
E nasceu MORBID VISIONS (86), um álbum memorável,
apesar da produção precária. Como na gravação
anterior há bons riffs e músicas, um exemplo é
o hino 'Troops of Doom'. O disco proporcionou o começo dos
shows pelo Brasil, mas também a despedida de Jairo Guedez.
O SEPULTURA crescia com uma velocidade sem precedentes na cena brasileira.
E conseguiram sem demora preencher a vaga deixada por Jairo, com
o excelente músico Andreas Kisser, dotado de um estilo inovador
e arrojado. Foi em seguida lançado SCHIZOPHRENIA(87), um
álbum cheio de gás novo que logo tornou-se um marco
do metal brasileiro devido á boa produção e
músicas marcantes ( 'Escape to the void' e a instrumental
'Inquisition Symphony', entre outras). Em turnê, a banda foi
escalada para tocar em lugares de difícil acesso, como Manaus
no Amazonas.
|
|
|
Igor, Max, Paulo e Andreas
|
 |
A partir deste ponto o SEPULTURA passou a despertar
interesse mundial. O furor provocado pelo SCHIZOPHRENIA fez com
que houvesse um lançamento pirata do disco por uma gravadora
européia, que chegou á inacreditável marca
de 30.000 cópias vendidas (porém sem a banda poder
usufruir dos direitos autorais).
Após a boa repercussão do disco de 1987, o SEPULTURA
continuou a galgar os degraus da fama, assinando um contrato de
longos anos com a gravadora Holandesa RoadRunner. Isso possibilitou
à banda gravar aquele que veio a ser um dos discos mais respeitados
da história do metal mundial. BENEATH THE REMAINS(89), é
até hoje uma grande referência. Foi gravado no Brasil,
e apesar do orçamento apertado trouxeram o produtor norte-americano
Scott Burns. Ele foi uma peça fundamental devido á
sua experiência. Proporcionou condições favoráveis
de trabalho para a banda e os ensinou a trabalhar como profissionais,
passando informações valiosas aos músicos iniciantes.
O produtor mixou e masterizou o trabalho em sua terra natal, algo
inédito para uma banda de metal brasileiro na época.
|
|
|
Primeira viagem internacional
|
 |
Lançado o disco o SEPULTURA partiu para sua
primeira turnê internacional, viajando pela Europa junto com
os alemães do Sodom, Estados Unidos, e México. A banda
chamou atenção por onde passou e seu nome despontou
na mídia mundial. Nesta turnê encontraram uma de suas
fontes de inspiração, Lemmy Kilmister e seu Motörhead,
cruzaram o muro de Berlim ainda na época da guerra fria,
e até conheceram o Metallica (banda muito forte na época).
Foi gravado nesta época o primeiro vídeo clipe do
SEPULTURA, 'Inner Self ', que tal qual 'Mass Hypnosis' e Beneath
the Remains, tornou-se um clássico da banda.
A história continua com o disco ARISE (91). Curiosamente
ele foi lançado antes no Brasil devido ao festival Rock in
Rio II, no qual o SEPULTURA foi um dos destaques. Esta versão
antecipada leva o título ARISE ROUGH MIXES.
 |
|
Max Cavalera
|
 |
Logo a apresentação no Rio a banda
promoveu um show gratuito em São Paulo na praça Charles
Müller em frente ao estádio do Pacaembu. A audiência
de aproximadamente quarenta mil pessoas mostra a força que
o SEPULTURA já possuía. Infelizmente algumas pessoas
confundiram o espírito de confraternização
dos fãs, e um rapaz foi assassinado. Esta fatalidade criou
um falso mito sobre o público da banda, que repercutiu por
muitos anos negativamente fazendo com que muitos produtores de shows
Brasileiros temessem marcar shows com o grupo.
No exterior, por sua vez, a turnê do ARISE foi longa e passou
por lugares longínquos e inéditos como Grécia
e Japão. Na Austrália foi lançado um dos primeiros
singles oficiais da banda, o Third World Posse. Outros
singles deste álbum são 'Under Siege' e 'Dead Embryonic
Cells'.
Na Holanda tocaram estrearam em um festival internacional de grande
repercussão, o Dynamo Open Air, para mais de
trinta mil pessoas. E atraíram mais de 100.000 fãs,
nas duas apresentações feitas em estádios,
quando estiveram na Indonésia. Lá também foram
premiados com fitas cassetes de ouro pelas excelentes vendas.
Gravaram os clipes de Arise e Dead Embryonic Cells,
e lançaram seu primeiro home-vídeo, Under Siege,
que foi gravado em Barcelona, Espanha. Com todos estes acontecimentos
ligados ao disco ARISE o SEPULTURA firmou seu nome mundo a fora.
CHAOS A.D. (93) foi um dos passos mais importantes da história
da banda. O SEPULTURA optou por um lado musical nunca antes explorado,
misturando seu som brutal com elementos de música popular
e com isto definiram a linha musical de vanguarda que se tornou
sua marca registrada.
 |
|
Gravação do clipe de 'Territory'
|
 |
O lançamento do CHAOS A.D. foi em grande estilo,
em um castelo medieval na Inglaterra e com a presença de
boa parte da imprensa mundial. O SEPULTURA foi capa de muitas revistas
por todo o mundo. Nesta turnê a banda foi até Israel
gravar o clipe da música Territory, também
lançada como single. Este vídeo foi eleito o melhor
Vídeo Clipe do ano pela MTV Brasil, que levou a banda á
Los Angeles para receber o astronauta de prata.
Outros clipes/singles tirados deste álbum foram Refuse/Resist
e Slave New World, e o home-vídeo Third
World Chaos.
Nesta turnê o SEPULTURA foi a primeira banda de Metal da América
Latina a se apresentar no famoso e tradicional festival Monsters
of Rock, no Donington Park, Inglaterra. E também a
primeira banda do Brasil a tocar na Rússia.
 |
|
Foto promocional CHAOS A.D.
|
 |
De volta á terra natal a banda foi convidada
a tocar no festival Hollywood Rock só após
um abaixo-assinado feito pelo fã clube oficial brasileiro.
Isso devido ao boicote por parte dos organizadores do evento, amedrontados
com triste incidente em SP anos atrás.
Outro momento que deve ser registrado é o projeto paralelo
de Max e Alex Newport, NAILBOMB, que teve o suporte de Andreas,
Igor e Dino Cazares. A dupla lançou um disco, POINT BLANK,
e se apresentou no Dynamo Open Air. O que resultou no
Disco ao Vivo PROUD TO COMMIT COMMERCIAL SUICIDE, virando algo culto
entre os fãs da banda.
 |
|
Com os Xavantes
|
 |
A concepção do disco ROOTS (96) começou
com a experiência musical e espiritual que o SEPULTURA teve
com a tribo dos índios XAVANTES. A música 'Itsari'
foi gravada na Aldeia Pimentel Barbosa no ano de 1995, ás
margens do Rio das Mortes no Estado de Mato Grosso. Já o
restante do álbum foram feitas em Malibu no estúdio
Índigo Ranch, dotado de instrumentos de idade avançada,
e fazendo da gravação a mais crua o possível.
 |
|
Com a família Gracie na gravação
do clipe de 'Attitude'
|
 |
Neste disco a banda mergulhou fundo nas experiências
musicais. Os clipes/singles foram 'Roots Bloody Roots' gravado na
cidade de Salvador; 'Attitude' que teve fotos de tatuagens de fanáticos
por SEPULTURA como capa e contou com a participação
especial da família Gracie no vídeo clipe. 'Ratamahatta'
foi um clipe diferente de todos os anteriores do SEPULTURA, feito
todo em animação gráfica computadorizada. Ainda
foi lançado o disco duplo THE ROOTS OF SEPULTURA, no qual
um dos discos conta boa parte da história musical da banda,
e o segundo é o álbum ROOTS.
 |
|
Monsters Of Rock '96
|
 |
O SEPULTURA continuava fazendo suas incansáveis
turnês pelo mundo, só que o ambiente interno era de
desgaste. A banda foi convidada para se apresentar nos maiores festivais
europeus, e novamente no 'Monsters of Rock' como uma das principais
atrações. Porém o destino impediu Max de se
apresentasse no festival, já que o grande amigo da banda,
filho da empresária e afilhado do vocalista (Dana Wells)
havia falecido. E em uma das mais importantes apresentações
da carreira da banda o SEPULTURA estava como um trio. Neste dia
contaram com a ajuda de diversos amigos para conseguir fazer o show,
pois a notícia havia sido um grande choque para todos.
O público presente entendeu a situação e fez
um minuto de silêncio a pedido da banda, uma cena que dificilmente
se repetirá com tamanha multidão.
Após um breve luto, o SEPULTURA precisou voltar a estrada,
pois haviam muitos compromissos agendados. A banda estava no topo
da pirâmide e o respeito e admiração que desfrutavam
era fora do comum. Infelizmente os constantes desentendimentos com
sua empresária Glória, que é esposa do Max,
fizeram a banda chegar numa encruzilhada, e a Sepultribo se separou.
Andreas, Igor e Paulo tinham a convicção de que a
empresária já não estava mais os representando
do jeito que deveria e comunicaram sua decisão de não
renovar seu contrato de trabalho. Havia a opção de
que ela continuar a cuidar dos interesses de Max. Ele não
aceitou a decisão dos companheiros e abandonou o SEPULTURA,
achando estar sendo injustiçado. A partir de então
as trevas caíram sobre o SEPULTURA e o futuro era incerto.
Com o tempo a banda acostumou-se á nova situação
imposta. Sabia que não iria parar o trabalho de uma vida
toda dessa forma e tampouco podiam deixar seus fãs órfãos.
O SEPULTURA é mais que entretenimento, é uma ideologia.
E assim que puderam começaram a escrever seu próximo
álbum, como um trio. Max formou sua própria banda
(SOULFLY).
 |
|
Sepultura em 1997
|
 |
Igor, Paulo e Andreas passaram a escrever de uma
nova forma. Agora o baixo ganhou uma importância ainda maior,
como base das músicas. Andreas assumiu os vocais, mas nunca
havia cantado antes e não se sentiu á vontade no posto.
Decidiram encontrar um novo vocalista para o SEPULTURA.
As fitas de demonstração chegaram em grande quantidade
aos escritórios da RoadRunner, e o processo de seleção
não foi fácil. Um pequeno grupo de finalistas foi
selecionado, e os candidatos receberam uma fita com músicas
nas quais deveriam trabalhar (inclusive escrevendo letras) antes
de encontrarem a banda para os testes. Os testes finais aconteceram
no Brasil, porque para fazer parte do SEPULTURA é imprescindível
gostar do país e se identificar com a cultura local. Também
foi levado em conta a integração e a afeição
entre o grupo.
 |
|
Igor, Paulo, Derrick e Andreas
|
 |
Desde o começo da procura, a voz e a aparência
de Derrick Green impressionou. Quando ele esteve no Brasil para
os testes sentiu-se em casa, virou Palmeirense, e se entendeu extremamente
bem com a banda. Ele preenchia todos os requisitos necessários,
e se tornou parte da família.
A maior parte das músicas já estava pronta, esperando
a gravação dos vocais, e a banda estava sob pressão
para lançar o disco, mas trabalharam buscando a perfeição.
Em 1998 foi lançado AGAINST, um álbum empolgante,
de composições e letras fortes. Muitos sentimentos
foram traduzidos neste disco, o resgate da autoconfiança,
a vontade da volta à estrada.
AGAINST contou com a participação de amigos de longa
data da banda. João Gordo em Reza e Jason Newsted
em Hatred Aside; e também o grupo de percussão
japonês KODO hospedou a banda na ilha de Sado, onde vivem,
e lá gravaram a faixa Kamaitachi.
Era chegada a hora de reencontrar fãs e deixar claro que
as fofocas propagadas pela mídia (que anunciou o fim da banda)
não passavam de grandes mentiras. O primeiro show do AGAINST
foi um grande evento beneficente em São Paulo, o BARULHO
CONTRA FOME.
 |
|
Anúncio do show Barulho Contra Fome
|
 |
Apesar de feito vários shows com suas antigas
bandas, o Derrick nunca havia se apresentado para um público
tão fiel, exigente e numeroso como os fãs brasileiros
do SEPULTURA. Para tanto a banda ensaiou tocando em uma casa de
shows pequena em Los Angeles (Brick by Brick), usando o nome TROOPS
OF DOOM.
O BARULHO CONTRA FOME foi um grande sucesso, que os 30.000 fãs
presentes lembrarão para sempre. Convidados muito especiais
tocaram aquele dia. Mike Patton veio da Itália para o show.
Jason Newsted veio dos Estado Unidos. E os índios Xavantes
enfrentaram a selva de pedra da metrópole. Carlinhos Brown
veio da Bahia. Jairo Guedez matou as saudades da ex - banda, e o
lendário Zé do Caixão abençoou a banda.
A crítica e a empolgada audiência receberam calorosamente
o Derrick na Sepultribo.
Saíram do AGAINST os singles TRIBUS, AGAINST
e CHOKE (este último ganhou um vídeo clipe
gravado durante o BARULHO CONTRA FOME). A turnê rodou o mundo
todo e foi bem sucedida. O SEPULTURA tocou pela primeira vez com
os gigantes do metal SLAYER, pondo fim ao mito sem fundamentos de
que as bandas não se davam bem. E para a alegria dos fãs
brazucas de longa data fizeram uma turnê nacional, após
anos de espera.
Finda a turnê os quatro músicos estavam ansiosos para
começar a trabalhar o próximo disco. A época
do AGAINST será sempre lembrada como o oxigênio da
carreira do SEPULTURA, inspirado quando mais precisaram e que lhes
deu força para construir toda uma Nação.
NATION (2001) é um álbum que já nasce vitorioso
e brilhante, inclusive como disco de ouro. Andreas, Paulo, Derrick
e Igor criaram um lugar utópico, para as pessoas que importam:
fãs, amigos e famílias. A letra de SEPULNATION
é auto-explicativa, a música do SEPULTURA é
sua arma, e eles a usam com destreza.
 |
|
Rock In Rio 3
|
 |
Graças á ajuda da vasta Sepultribo
na Internet, a banda foi convidada para tocar na terceira edição
do Rock in Rio. Lá o NATION foi apresentado á multidão
de 150.000 pessoas, não havia um ser que não estivesse
empolgado naquela memorável noite de janeiro (apesar de alguns
veículos da imprensa nacional ainda não aprenderem
a respeitar um dos maiores fenômenos da música brasileira,
o mundo viu com certeza o poder de fogo que os espera). Entraram
no palco ao som do hino VALTIO, feito com a colaboração
dos músicos finlandeses do APOCALYPTICA.
Também colaboraram na Nação os músicos
Jello Biafra e Dr. Israel, e quota pensamentos de gente brilhante
(Madre Teresa de Calcutá, Albert Einstein, Gandhi e o 14o
Dalai Lama).
O disco mostra um SEPULTURA maduro, cicatrizado e consciente. Resultado
da estabilidade proporcionada por Derrick, que participou ativamente
na composição do álbum. Seu crescimento na
banda é explícito.
A Nação SEPULTURA já está sendo erguida!
|